SAUDADE E JABUTICABAS!

Eu gosto de jabuticabas maduras.
São belas.
São negras.
São doces.
Seu sabor a mim me parece eterno.
Seu tom remete-me à Pindamonhangaba.
Um pátio.
Uma capela.
Um coro!
Uma árvore frutífera e frondosa entre olhares.
Galhos retorcidos de retorcidos desejos.
Uma escola.
As escolhas.
Os livros.
Os lírios e as andorinhas bailantes.
Rumos certos de certezas sempre a caminho.
Uma vida de sonhos entre telas ofuscadas do passado.
Novelo de linho e linhas de juventude, amor e sonhos.
Desvelo de um varredor de calçada que comia o fruto em silêncio.
Uma jabuticabeira, a estação apropriada e os anzóis.
Ali aonde meninos adejavam, feitos aves de arribação e o amor vivia saltitante nas entrelinhas.
Uma poesia viva na viva poesia da vida.
Um piano dedilhado por uma inesquecível maestrina.
Vozes; vozeio de vidas velozes e esvoaçantes. 
O tempo, célere feito trem saído da estação.
E uma saudade enorme parecendo possuir a tudo por dentro e por fora.
Saudade… Se partíssemos.
Saudade… Se ficássemos.
Saudade… Se viéssemos.
Saudade… se voltássemos.
Saudade ali era “o pão nosso de cada dia”.
Saudade, tudo ali era saudade.
Dali nós partimos e o que restou?
A jabuticabeira!

Para todos aquele que fizeram e ainda fazem parte da nossa história.

Um poema de Robério Jesus, ex-aluno do IBAD.